Second Life
Em 2004, em uma conferência sobre Jogos de computador na Van Eyck Academie, Holanda, uma socióloga apresentou a tese de phd sobre Second Life. Eu me lembro que ter ficado encantada com o software por causa de uma estória. A socióloga contou que havia resolvido encontrar na vida real, uma das pessoas com as quais mantinha contato no jogo. Nesse encontro a socióloga veio a saber que a mulher era tetraplégica e capaz de poucos movimentos. Achei lindo que essa mulher presa em um corpo extremamente limitado pudesse, através de um avatar, experimentar a vida com movimentos.
Esse, me parece, é a força principal do Second Life, a de fazer as pessoas interagirem e experimentarem a vida de outra forma. O resto, toda essa ‘hype’ – eu posso estar muito errada, mas não consigo passar da idéia de que é simplesmente uma bolha.
Bancos constróem agencia no Second Life, 70 universidades reproduziram o campus, pessoas abrem negócios, Ongs existem aos montes, galerias, musicos e performances fazem shows e avatars demonstram contra a guerra. Second Life é uma experiência social e tanto. Mas para quem? Sem negar todas as possibilidades políticas e artísticas do software, esse foi feito para ganhar dinheiro para a companhia ‘Linden’. Esse é um software que apesar de parecer ‘open source’, é propriedade de uma companhia que ganha dinheiro com a licença de cada um dos usuários. Além disso, é um produto que requer um computador potente e internet com banda larga. Isso significa que é um software que na realidade tem mais de primeira vida do que de segunda: construido pela elite dominante do planeta e representando a ideologia dessa elite em escala global, ele reproduz estilos de vida e a ética fundamental do consumerismo. Não é a toa que toda vez que se fala de Second Life, pensa-se em dinheiro.
O game – porque Second Life não passa de um game – criou o a idéia de que se pode ‘ganhar linden dolares ( a moeda do game Second Life) vendendo objetos 3d (avatares e outros que se usa no Second Life) no e-bay o outras websites onde se oferecem objetos para serem vendidos’ . Apesar de ter sido um conceito novo a seu tempo, não conheço e nem nunca ouvi falar de pessoas que vivam disso. O fato de que o usuário ao ganhar dinheiro através do Second Life está, na verdade ganhando dinheiro para o fabricante do software passa um pouco desapercebido.
Dito isso, Second Life é um experimento, uma experiência especial da Web2.0, a . web onde o conteúdo é gerado pelo usuário. E como um experimento social, é interessante e de muita validade. Acontece muita coisa interessante no Second Life:
Second Life
http://secondlife.com/
Get A First Life
http://www.getafirstlife.com/
Experimentos educacionais no SL
http://www.cnn.com/2006/TECH/11/13/second.life.university/index.html
Um Western em SL
http://bellsandspurs.com/_video/
“Mais de 70 universidades”
http://news.com.com/2100-1032_3-6157088.html
Novo filme de Lynn Hershman em SL
http://lynnhershman.com/newprojects.htm
Avatars contra a guerra
http://lotusmedia.org/post-protest-processing
Um marketing mais atraente para a Africa
http://annansi.com/blog/2007/01/africas-second-life/
Ativismo no Second Life
http://www.flickr.com/photos/venicevandal/sets/72157594474252794/
Steven Shaviro fala sobre explosão da mídia de conteúdo gerado pelo usuário:” Temo que a incitação em participar, se envolver, ser criativo, é ao mesmo tempo uma pressão para sermos ”empresários de nós mesmos e trabalharmos mais para facilitar a nossa própria exploração.”
Estranho estar escrevendo sobre Second Life em Rotterdam, depois da abertura do festival ‘Deaf’ sobre mídias digitais, onde o tema é ‘Interação ou morte’ http://www.deaf07.nl/

