A internet dos objetos: Spime?? O que é isso?
Eu nunca sei onde ponho as coisas: chaves, brinco, caneta, guarda-chuva e essas coisas que foram feitas para serem perdidas. Quando isso acontece, imagino poder escrever em algum lugar uma descrição do objeto, como se escreve uma palavra-chave no Google ou outro buscador e algum cachorrinho ou qualquer outra coisa venha trazer o objeto desejado.
Fantasia? Não. Isso pode virar realidade e em um futuro bem próximo. É o que as pessoas estão chamando de ‘a revolução tão grande quanto foi a popularisação da internet nos anos 90 do século passado’: Essa revolução que se fala, tem a ver com a mudança da nossa relação com objetos por causa do casamento do microprocessor com o rádio.
Os filhos desse casamento são os inúmeros objetos que podem ‘conversar’ um com o outro através de frequências de rádio: quando o despertador conversa com a cafeteira para avisar que é para começar a fazer o café enquanto voce esta no banho.
O futurista e escritor de ficcão científica, Bruce Sterling diz, ” Premissa básica: no futuro, graças as delicias do RFID ( Frequência de Identificação Remota), seremos capazes de conectar objetos com a internet, de maneira a podermos fazer uma busca online dos objetos perdidos. Imagine tendo perdido as chaves do carro e ser capaz de procurar por elas atraves do Google Earth.
Segundo o The Economist, esse ano serão vendidos aproximadamente 10 bilhoes de microprocessadores incorporados em máquinas, desde computadores a cafeteiras. A maioria desses aparelhos vai ser capaz de ‘pensar’ mas não de ‘falar’: eles vão executar funções mas não vão poder comunicar. É aí que entra a tecnologia de rádio: fazer esses microprocessores e portanto os aparelhos que os contém, conversarem entre si.
A tecnologia de rádio esta ficando rápidamente mais barata. Um RIFD é uma antena que mede normalmente 50 mm e contém informação que pode ser lida por outros aparelhos. Como por exemplo, o “RioCard” , cartão de transporte público do Rio.
Como toda ficção científica ou previsão de futuro vem com palavras novas, a palavra que Bruce Sterling usa e SPIMES (leia-se ’spaime’). Um spime e um objeto que transpõe a condição material de objeto por ser conectado de diversas formas. Imagine uma situação onde o computador e a computação não está mais apenas dentro de uma caixa que se comunica com o seu monitor, mas, está em todos os objetos e aparelhos. É o tecido da vida diária sendo permeado pela computação, por sensores e pequenos aparelhos que emitem frequência de rádio.
O spime é o objeto mundano, cotidiano e banal, que fica ‘inteligente’, que apresenta ‘comportamento’ por ter encorporado códigos de computação e ondas de rádio. O sapato-spime por exemplo, é um objeto individual e feito somente para você: ele ’sabe como voce tem que pisar e como pode corrigir se voce andar errado. Ele tem uma estória única que o faz por exemplo, poder pedir por um ‘upgrade’ de sola quando ‘notar’ que esta ficando gasto.
Estou falando de sensores, de chips interativos, de objetos que podem ter ‘labels’ que lhes dêem identidade única, de sistemas de posicionamento precisos, indexadores e buscadores de grande capacidade. Tudo isso em rede, se comunicando um com o outro.
Essa ‘revolução’ não é, porém, sem problemas. Já agora na fase embrionária, preocupa muitos. A grande maioria dos oponentes diz que vai ser uma ameaça a privacidade das pessoas bem maior do que a internet foi até agora. Outros, preocupam-se com as consequências de ondas de radio para a nossa saúde já que muitas dessas frequencias no ar produzem ‘poluicao magnética’.
Mais sobre o assunto (em inglês):
http://www.itconversations.com/shows/detail717.html
http://java.sun.com/developer/technicalArticles/Ecommerce/rfid/
http://video.google.com/videoplay?docid=-3857739359956666768
http://www.mediamatic.net/artefact-11183-en.html
http://future.iftf.org/2005/09/an_internet_of_.html



