A inteligencia das massas pode deixar as empresas atuais com cara – e corpo – de dinossauro.
Adeus as empresas centralizadas, aqueles feitas por donos e para os donos, as hierárquicas, as que acham que estão em um nível outro que o público, o consumidor, a população ‘ mortal’. O sucessor está chegando, empresas que ouvem os ’simples mortais’ e desenvolvem produtos junto com eles.
Essas são empresas que usam as novas “armas de colaboração em massa” que a internet fez surgir: descentralisação radical, produção ‘entre pares’ (do inglês: peer to peer, P2P, a arquitetura de sistemas distribuídos, como por exemplo, Bittorrent ), ‘crowdsourcing’ – onde os internautas são os que fazem o conteúdo, encontram as soluções. Essas ferramentas permitem que muitos milhares de indivíduos e pequenos produtores criem em conjunto produtos, acedam a mercados e deliciem os seus clientes, o que no passado só as grandes empresas conseguiam.
Tapscott e Antony D. Williams, no livro ‘Wikinomics’, falam da noção de que o universo dos internautas pode fornecer informações mais exactas do que peritos individuais. A ideia é que o todo seja capaz de se auto-corrigir. Se um grande número de pessoas é capaz de corrigir os erros uns dos outros – quer estes sejam por ignorância ou preconceito – os resultados serão no global mais confiáveis do que a resposta de um indivíduo ou de um pequeno grupo. O maior exemplo desse conceito é a própria Wikipedia, que é praticamente tão precisa nas suas definições como uma enciclopédia tradicional e considerávelmente mais comoda de usar.
Organizações usam a inteligência das massas, ou ‘ inteligência coletiva’ de maneiras diversas. O Youtube ou a Wikipedia são plataformas onde as pessoas trabalham por prazer, mas por exemplo, em sites como Ebay, as pessoas põe conteúdo para ganhar dinheiro. Se o Ebay fosse um empregador convencional e a comunidade, empregados, ele seria a maior loja do globo. Esses dados fizeram o Centro de Inteligência Coletiva do MIT (Instituto de Tecnologia de Michgan, o mais conceiturado do mundo) se perguntarem ‘ de que maneira um grupo de pessoas e computadores conectados entre si podem cuidar de pacientes em um hospital ou desenhar um carro?’
Usar esse tipo de processo significaria uma mudança extraordinária em como as pessoas trabalham. No momento em que o que um empregado faz em um dia pode ser substituido por um grupo de pessoas em diferentes momentos e diferente lugares, não só a maneira como as pessoas trabalham muda, como também o tipo de gerenciamento. Esse passa a ser uma função de coordenação e não mais a de comando e controle. Isso não é ficção científica.
Uma empresa fez meu coração de brasileira bater mais rápido. Na apresentação no website Favela Fabric eles dizem ( com um belo sotaque brasileiro) : “Nós tiramos nossa inspiração das favelas brasileiras, organizações de auto-gestão, coletivos de sabedoria e creatividade”.
Eu que sempre ouvi que o Brasil era esse eterno ‘ gigante adormecido’ porque precisava exportar know-how, pensei cá com os meus botões, que já que o Brasil está exportando esse know-how, isso pode significar que o modelo de auto -gestão, inteligência e criatividade coletivas, pode ser um sistema que serve para o Brasil como uma luva.


